terça-feira, 16 de março de 2010

Voltando...


Acabo de me lembrar de meu blog. Uma amiga, Beth, foi a responsável (me tornei sua seguidora). Me deu vontade de novo de me comunicar.

Lendo as últimas postagens, não acredito que se passou todo esse tempo e que as coisas não progrediram com minha mãe como esperavámos.

Por isso tenho demorado tanto para estar aqui de novo: gostaria de ter boas notícias, relatar melhoras significativas. Ela completou 86 anos em Fevereiro.

Mas infelizmente o processo é irreversível, a máquina tem seus limites e não há vontade, neste mundo, externa, capaz de fazê-la voltar a funcionar. Mamãe perdeu suas capacidades degustativas e de falar de uma vez. Todo o quadro descrito na postagem anterior permanece: Home Care, cuidadoras, banhos, fisio, remédios, remédios e remédios. É claro que após 8 meses os remédios já não aliviam muito: eles dopam. A culpa não é de um, mas de vários, combinados, durante todo o tempo, que fica difícil resolver. O vilão da vez é o anticonvulsivo .....

Sua consciência é uma luz branda do que foi um dia o brilho de um ser cheio de energia: hoje ela não reage a nada, a nenhuma emoção.
Não sabemos o quanto é capaz de perceber, mas sabemos que estar ali é muito difícil. Para ela e para nós. É uma sensação terrível de impotência. Estamos fazendo o que é possível para lhe dar uma condição de sobrevida digna, mas a culpa bate a nossa porta, por vezes, por não sabermos e não podermos fazer mais.

Somos humanos, com medos, incertezas, dores, carências, dúvidas, questionamentos, julgamentos. Nessa situação limite, onde se tem alguém da família em estado terminal, todos os sentidos e sentimentos são acionados e a incerteza é a única certeza. Perdemos a noção do tempo, porque somos obrigados a viver dia após dia em expectativa. Solução não é a palavra, porque para cada ocorrência, surge uma nova: talvez desafio seja melhor.
Enquanto assistimos essa situação - sim porque às vezes me sinto telespectadora de minha própria história - concluimos que a vida é realmente bela e para ser vivida em sua plenitude. Não há culpado, nem responsável, mas pergunto, assim como meu marido, porque tem que ser assim? Nunca teremos essa resposta. Não nesta vida...não, para aliviar o sofrimento...
Aqui e agora, temos que suavizar a passagem para que ela não rasgue em seu caminho nossos corações e nossa fé, e deixe só a lembrança de tudo que vivemos de bom.
Isso será reconfortante.
FORÇA MAMÃE PORQUE ESTAMOS AO SEU LADO TE CONDUZINDO COM AMOR.
TE AMAMOS
SUA FAMÍLIA