terça-feira, 11 de maio de 2010

Aprendizado doido

A vida é um eterno aprendizado. Quanto mais se vive mais se percebe que a riqueza maior é o aprender. Só isso fará com que tenhamos um futuro digno, produtivo mentalmente e fisicamente. Que sem querer, ou melhor, sem se perceber, isso nos trará Felicidade.
É uma pena quando esse crescimento dói. Quando esse movimento (de sair do lugar seguro) não é feito com sabedoria.
Será preciso paciência. Será preciso persistência. Será preciso amor.

Eu aprendo a cada dia.
Aprendo a confiar e confiando, me decepcionar.
Aprendo a tolerar e tolerando, me aquietar.
Aprendo a conversar e conversando, trocar.
Aprendo a amar e amando, me superar.

Meu filho de 6 anos repetiu, outro dia para um amiguinho, algo que ouviu de mim e que nem de longe eu pensei ser tão útil e repetido e assimilado por ele assim tão cedo:

"Na vida a gente ganha, a gente perde... não fique triste... "

Eu estou precisando, mais do que nunca, acreditar nisso agora.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Ser mãe

Ser "Mãe" está bem difícil nesses tempos. Digo não só agora para mim, mas sempre, para todas nós mulheres. Ser mãe não implica somente o ato maravilhoso de gerar, de amamentar, trocar, cuidar e amar incondicionalmente.

Ser mãe, para nós mulheres, significa sermos "completas":
  • realizadas como mulheres - corpo e mente,
  • resolvidas profissionalmente - mesmo que não atuantes,
  • ser boa companheira - em todos os sentidos,
  • ter opinião - independente de certo ou errado,
  • saber se posicionar - quando falar e quando calar,
  • saber fazer crescer - soltar e controlar,
  • saber administrar o tempo - o seu e o dos outros,
  • fazer acontecer - organização é tudo.
São tantas as atribuições de uma mãe que nenhuma filha tem noção disso até se tornar mãe. E para os filhos homens, ainda, é mais difícil. Porque mesmo o dia em forem pais, nunca serão como uma mãe.

Após a maternidade, nós mães só nos tornamos realmente felizes depois que temos certeza que nossos filhos estão felizes. Nós nos encontramos em muitos momentos da vida sozinhas, porque assim nascemos e assim morreremos. Mas no decorrer do caminho algo muda quando somos mães.
Não há muito tempo talvez existisse uma diferença: as mães geravam seus filhos e em determinado momento eles estavam no mundo, um mundo diferente para nós e novo para eles.

Hoje a dinâmica mudou um pouco: nós pais caminhamos ao lado dos filhos para essa nova vida todos os dias, porque senão a distância ficaria muito grande, como ficou em outras gerações.
As mães hoje precisam, em função da velocidade das inovações, estar muitas vezes ao lado e não na retaguarda dos filhos como antes. O diálogo sempre foi importante, mas hoje é imprescindível, e para falar a mesma língua que eles é preciso estar constantemente "ligada".

Ser mãe é muito gratificante, mas consome do universo feminino além do imaginável.
Especialmente para mim, ser mãe e ser filha está tendo um valor especial neste momento. Reconhecer igualdades e diferenças nessa relação mães e filhos, só é possível após a experiência acumulada com o tempo e isso é coisa que nossos filhos - ainda pequenos e/ou jovens - não dispõe. Hoje, que me encontro mãe e filha, reconheço todo o amor, toda a bondade, o comprometimento e dedicação, que teve e tem minha mãe para com suas filhas e netos.

Hoje que me encontro filha, só posso dizer que a amo e que agradeço por todos os momentos raivosos, nervosos, amargurados, engraçados, tristes e muito felizes que passamos juntas.


Este ano meu presente para minha mãe, de Dia das Mães, será especial: será a minha palavra de que serei uma ótima mãe para meus filhos também.


E o presente que gostaria de ganhar dos meus filhos é o amor incondicional que já recebo e a compreensão de que agora, mais do que nunca, preciso ser uma ótima filha. De todo o meu coração: Amo vocês - Carmen, Caio, Amanda e Julio.

Minha Mãe Querida Carmen



Meus filhos Queridos Caio, Amanda e Julio










segunda-feira, 3 de maio de 2010

Uma família enfim FELIZ!





Percorrendo, sem desânimo, essa vida, comemoramos este sábado os 3 aninhos do anjinho que veio habitar nesta família: João Henrique da Cunha Cansian.
Parabéns à ele! Parabéns à seus pais Jorge e Karin!

Já foi uma festa durante esses meses de convivência com esse ser tão pequeno e tão grande.
Digo que ele veio não só para receber, mas ao contrário da maioria de crianças adotadas, ele veio para dar, doar seu amor incondicional a todos nós. São primos, tios, avós, amigos, todos aqueles que ele toca.
O João é um ser abençoado. Lindo, querido e amado.
Foi emocionante o seu "Parabéns".
Foi emocionante ver a alegria estampada no rostinho da sua mãe e do seu pai.

Que familia linda você tem!!!

Na ponta dos dedos

Impressionante! Mas em menos de 2 semanas tudo muda e nada muda.
As angústias dos últimos meses continuam, mas se aprofundam ainda mais com os últimos acontecimentos.

Mais uma internação de minha mãe na UTI e mais uma vez a constatação do inevitável: estamos perto do recomeço. Sim, porque acredito que para ela se aliviar do peso da dúvida, da incerteza, da saudade, do medo, será como um recomeço. Talvez por isso sua resistência. Ela é muito forte - fisicamente muito forte - mas está cansada e seu espírito é o de uma criança que está com medo do desconhecido.
Para ela recomeçar significa se desapegar do amor de meu pai, do carinho da família, do cuidado que a cerca nos últimos anos e não só desses 10 meses, que se completam hoje, após o AVC. Foram 10 meses de luta para manter uma pessoa dignamente ligada a esta vida, mas para nós, que a amamos, foi um período de preparação. Ela nos deu isso, mas não sabemos, se conseguiu ela mesmo, se preparar para o distanciamento. Talvez ela ainda ache que não estamos prontos...quem sabe? Nunca, de verdade, estaremos prontos, mas o processo é esse mesmo e só após sua ausência, saberemos o que será.

Para ela, hoje, está difícil. Não temos acesso mais aos seus pensamentos. O fio que a conduz está na ponta dos dedos. Seu físico se resume a uma máquina falhando, parando lentamente e que não tem conserto nem pelas mãos dedicadas de meu pai, nem pelos cuidados das filhas e netos, nem pelo empenho da medicina. Não sabemos nada do que realmente acontece em seu cérebro, em sua mente, em seu olhar perdido, em seus ouvidos, às vezes, atentos (será que compreende alguma coisa?). Só sei que tenho conversado muito com sua alma. Quem sabe esta me escute. Minha esperança é que me xingue, me corrija, me cale, caso eu esteja perturbando. Mas minha única certeza, é que ela sabe que eu a amo e que só desejo o seu bem.

Como todos nos dizem: só por Deus.
Cabe a Ele decidir, mas rogamos para que seja sem dor. É só o que peço.